No córner de Cristiano Marcello, Zulu não quer ser reconhecido só por BBB
Fera na luta olímpica já representou o Brasil nos Jogos Pan-Americanos
duas vezes, tem bom cartel no MMA e treina com atleta do UFC desde 2006
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Marcelo "Zulu" Gomes ficou conhecido no país após participar da quarta edição do reality show Big Brother Brasil, em 2004, a mesma que contou com nomes como Marcelo Dourado e a argentina Antonela e foi vencida pela então babá Cida. O carioca tem uma fama semelhante dentro do mundo das lutas e gostaria que o público de fora o reconhecesse também por esse mérito, mas ainda é lembrado nas ruas por ser um ex-BBB:
- Pior que me reconhecem. As pessoas me olham na rua e pensam: "De onde eu conheço esse cara?" O nome "Zulu do Big Brother" ficou marcado. Mas agora nem se compara como já foi. O tempo está passando, né? E nem só do BBB, a galera que acompanha esporte me conhece muito bem. E graças a Deus isso tem sido mais em relação à minha participação como atleta do que como Big Brother. Sou tratado como o cara que já foi para os Jogos Pan-Americanos, o cara que representa o Brasil, que luta MMA, é técnico de atletas do UFC... Então, prefiro esse tipo de reconhecimento - disse ao SPORTV.COM.
Zulu tem uma boa experiência no MMA e é dono de um cartel com sete vitórias e apenas uma derrota. Atualmente ele trabalha como treinador da parte de quedas de Cristiano Marcello, ex-membro da famosa equipe Chute Boxe e que participou da última temporada do The Ultimate Fighter nos Estados Unidos. Os dois se conhecem desde janeiro de 2006, quando Zulu saiu do Rio de Janeiro rumo a Curitiba e entrou na Chute Boxe. Quando o amigo deixou a academia e criou um novo time, a CM System, foi chamado por ele para fazer parte da nova empreitada. Zulu vai estar no córner do peso-leve no UFC Rio III, onde ele vai enfrentar o iraniano naturalizado sueco Reza Madadi, no próximo sábado, e aposta que o também carioca vai fazer bonito no octógono:
- A gente treinou bastante a parte em que ele é forte, que é o chão, e exaustivamente a parte em que ele é menos bom, que é a trocação. A gente conseguiu acoplar a queda à trocação, e o objetivo é cair por cima e estabilizar o adversário para buscar a finalização. Foi um trabalho bem feito. No treino ele teve um desempenho excepcional. Nosso período de preparação foi o melhor que fizemos nesses três anos de existência da academia. Contratamos sparring, técnico, trouxemos preparador físico... No treinamento ele apresentou um resultado excepcional. O cara está incansável, excelente em queda, sabe adaptar isso ao jogo de MMA dele. Acredito que vai ser uma boa luta, e ele é o favoritíssimo. Mas luta é luta, ninguém é 100% campeão antes que soe o gongo. Até o último segundo o cara pode tomar uma pedrada e cair. Mas as minhas perspectivas são as mais positivas possíveis.
Cristiano Marcello, como bom "zoador", não deixou de brincar com Marcelo Zulu em relação à participação dele no reality show mais badalado do Brasil:
- Não tinha assistido, mas quando eu o conheci, já fui procurar para ver. Pesquisei o Zulu do Big Brother. Com certeza zoei, o cara que é de São Gonçalo e pegou a Cida (a ex-babá que venceu o programa)… (risos) Eu procurei saber mais dele, e independentemente do que rolou no Big Brother, vi que ele tinha uma história de atleta, dentro da luta livre e da submission, com várias lutas. Depois que abri a CM System, ele virou professor de submission. Um cara que é várias vezes campeão brasileiro de luta greco-romana, há mais de dez anos na seleção brasileira, não é por acaso.
No currículo esportivo pré-MMA, o ex-BBB teve participações nos Jogos Pan-Americanos de 2007, no Rio de Janeiro, e de 2011, em Guadalajara, como atleta da luta olímpica (wrestling, em inglês), mas não obteve medalhas e jamais realizou o sonho de ir às Olimpíadas. Sonho esse que ainda está vivo no coração de Zulu, mesmo que lá no fundo. Rio em 2016?
- Estou meio velho, né? Estou com 31 anos, sou da seleção brasileira desde 2000. Fui 13 vezes campeão brasileiro invicto. Estou meio cansado, desgastado. O MMA para mim é novidade, começar tudo novamente. Vou ver como vai ser o ano que vem. De repente se eu me animar novamente vou tentar mais um ciclo olímpico. Quando comecei a lutar, as Olimpíadas eram uma realização pessoal, mas nunca me classifiquei. É uma batalha dura para nós, brasileiros, mas é um sonho e eu estimulo essa geração nova que está entrando agora na seleção. É difícil, mas é possível.
A possibilidade maior mesmo de futuro para Zulu é o MMA. Ele esteve na seletiva para o primeiro TUF Brasil como peso-médio (até 83,9kg) e não foi escolhido para entrar no programa. Devido ao grande corte de peso que teria de fazer, não fez a inscrição para a segunda edição, cujas seletivas ocorrem neste domingo - as categorias são peso-leve (até 70,3kg) e peso-meio-médio (até 77,1kg). O carioca, que fez sua última luta em 2010, estima estar de volta à ação em 2013.
- Tenho vontade ainda de fazer mais algumas lutas. Mas não luto desde 2010 e estou meio fora de ritmo. Em 2011 o que me travou foi a minha participação nos Jogos Pan-Americanos, eu como atleta da luta olímpíca, e prefiro sempre participar dos Jogos em vez do MMA, é minha realização pessoal isso. E esse ano foi meio conturbado. Ainda sou vice-presidente da Federação Paranaense de Luta Olímpica, então foi muita correria, e não tive uma boa preparação. Agora que estou com mais tempo, tinha uma luta marcada para o dia 1º de dezembro, mas parece que o evento foi adiado. Mas acredito que no ano que vem eu já esteja preparado para subir no ringue.
Cristiano Marcello, claro, acredita piamente no potencial de Zulu e é só elogios ao falar do amigo-técnico. Se depender dele, o sucesso está garantido:
- É só ver a desenvoltura dele como técnico e o wrestling que ele apresenta. Tive a oportunidade de treinar em vários lugares do mundo e ele não deixa a desejar em nada. É um cara com uma didática muito boa, muito inteligente, que fez universidade federal. Hoje em dia, no MMA, não basta ser casca-grossa, tem que ser inteligente, e ele é um cara em que eu confio até debaixo d'água. Se ele falar para dar um duplo carpado, eu vou fazer, porque sei que é o melhor para mim.
O duelo entre Cristiano Marcello e Reza Madadi vai abrir o UFC Rio III, na noite deste sábado, na Arena da Barra, na Barra da Tijuca. A atração principal é a luta entre o supercampeão Anderson Silva e Stephan Bonnar, pela categoria dos meio-pesados. Rodrigo Minotauro e Dave Herman fazem um confronto peso-pesado no coevento principal.
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